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Contribuição à II Conferência Eleitoral Nacional do PSOL PDF Imprimir E-mail
Poder Popular   
Seg, 03 de março de 2008 23:37

Martiniano Cavalcante (GO); Jefferson Moura (RJ); Janira Rocha (RJ); Elias Vaz (GO); Osmarino Amâncio (AC); Marilda Terezinha (MG); João Batista da Fonseca (MG); Pedro Del Castro (DF); Prisco (BA); Haldor Omar (SP) e outros.


I - CONTRIBUIÇÃO DOS MILITANTES DO PODER POPULAR (MTL) À II CONFERÊNCIA ELEITORAL NACIONAL

Este texto expressa as linhas mestras de nossa concepção de programa de governo e orientações para a disputa das eleições municipais de 2008.

Temos consciência de que a cidade não é uma ilha onde se possa construir um paraíso isolado da situação política econômica e social predominantes no Brasil e no mundo. A concentração de renda e de riqueza presentes em nossa cidade tem origem no sistema capitalista e no projeto neoliberal defendido e implementado por todos os partidos e forças políticas que governaram e que governam o Brasil.

A pobreza, o desemprego, a violência, o sucateamento dos serviços públicos, são conseqüências de um sistema no qual o poder político é o principal instrumento para garantir os privilégios e o enriquecimento de uma minoria, associada e subordinada aos interesses do grande capital nacional e internacional.

Neste sistema, a classe dominante usa e abusa dos meios de comunicação para criminalizar, desestimular e cooptar os movimentos e lideranças do povo que ousam se organizar e se mobilizar para defender seus próprios direitos. Quando a cooptação não é suficiente lança mão diretamente do aparato policial e da violência estatal.

As expectativas de alteração dessa lógica do poder despertadas pelo PT foram se frustrando progressivamente com a conquista de Prefeituras pelo Partido e as experiências práticas com o modo petista de governar. Eles foram um prenúncio da completa rendição do governo Lula ao grande capital em geral e ao seu setor hegemônico e mais reacionário, o capital financeiro em particular.

A conclusão deste ciclo histórico se deu com o surgimento de muitas contradições e possibilidades novas, mas também trouxe muita confusão. Se, de um lado, possibilitou o surgimento do PSOL como expressão de forças políticas minoritárias que tentam construir uma nova concepção de ação política fez também com que, por outro lado se juntassem fenômenos de aparências antagônicas como o governismo em sua defesa intransigente da colaboração de classes e o esquerdismo dogmático com o seu eterno propagandismo da revolução socialista. Estranho entre si, apenas na aparência, ambos fortalecem a idéia de que na vida política concreta, cheia  de dejetos nada é permitido a não ser a reprodução da imundície do capitalismo. Assim, os primeiros guardam suas convicções socialistas e revolucionárias nas lembranças românticas de sua juventude e justificam sua traição política como resultante inevitável da vida concreta, enquanto que os segundos evitam a vida concreta para guardar suas convicções revolucionárias que um dia serão convocadas em prática no reino dos céus.

Estes dois antípodas na aparência e xipófagos na essência não são novidades na história. Eles sempre vêm ao mundo na forma de aborto de uma evolução necessária para interrompê-la, derrotá-la ou adiá-la.

No último período de nossa história podemos constatar o quanto ambos foram capazes de esterilizar as forças sociais e políticas transformadoras. De um lado a maioria do PT com o seu pragmatismo de direita e de outro lado uma grande variedade de grupos ultra-esquerdistas incapazes de se consolidar como alternativa política apesar da gigantesca tragédia da conversão do PT às forças do capital.

Estas experiências mostram que para construir um projeto revolucionário vitorioso será necessário superar estas duas vertentes. É preciso negar de maneira resoluta a sujeição aos pressupostos políticos da classe dominante, através de uma elaboração teórica antagônica a eles, mas é preciso também que esta elaboração  transforme-se em prática concreta e nesta prática seja acolhida como que uma necessidade  das particularidades, das instâncias onde se realizam a vida, onde se funda o modo de existência predominante e suas contradições insanáveis. Então, neste caso, pode ocorrer um fenômeno de nova qualidade política e social, ou seja, a fusão de uma elaboração geral com as necessidades particulares da vida concreta, desencadeando a partir disto uma batalha mortal entre o florescimento de uma nova hegemonia e a preservação da anteriormente existente. A conclusão desta batalha não se dá por um desenlace instantâneo. Ela se realiza após um período de acumulação política no qual a disputa se manifesta em todas as esferas da vida social, das mais simples às mais complexas. Neste aspecto, a experiência do PT tem muito a nos ensinar, não só pela negativa. O PT se empenhou corretamente para ocupar todos os espaços da vida política, desde os sindicatos e associações comunitárias até às várias instâncias do aparelho de estado, especialmente do poder executivo. Isto foi um grande acerto. O equívoco fundamental do PT estava nas limitações originais e no caráter ideológico e político de seu projeto e de sua direção. Ambos foram vocacionados desde o início, a moldarem-se às instituições e a ordem vigente e revelaram desde muito cedo sua incapacidade congênita de transformá-las. Este é o limite do modo petista de governar que o PSOL terá que superar caso queira ser protagonista na construção de uma alternativa de poder capaz de superar o poder do grande capital.

E como fazê-lo? Resposta para esta pergunta só poderá ser o fruto de uma experiência histórica construída sob a firmeza de clareza de propósitos e a coerência. Lembremos que estas serão as primeiras eleições municipais a serem disputadas pelo PSOL, e por serem o início da caminhada deveremos definir, da melhor forma possível, os marcos de nosso rumo.

Estas referências programáticas estão em consonância com os desafios que devemos superar. As eleições de 2008 não são um fim em si mesmo. Este processo não determina nosso futuro, mas poderá nos fortalecer.

Heloísa Helena, o PSOL e todas as forças populares e de esquerda que a eles se somem têm pela frente enormes desafios. Enraizar-se no Brasil profundamente, no coração e na organização dos trabalhadores, consolidar-se como força em franco crescimento nos grandes centros urbanos nas eleições municipais de 2008, conquistar as mínimas condições materiais para participar de uma disputa de verdade em 2010 é um desafio fundamental a ser superado. Além disso, é necessário encarnar um programa que seja ao mesmo tempo exeqüível e transformador, capaz de mobilizar multidões e alterar substancialmente a atual correlação de forças. Um programa que canalize a indignação nacional contra a corrupção para um projeto de profundas reformas democráticas nas instituições de poder.

Será preciso convencer o povo que é possível subordinar as instâncias de uma nova democracia representativa ao controle social e ao exercício da democracia direta. Este programa deverá reunir forças suficientes para quebrar a ditadura do capital financeiro, resgatar a soberania nacional, hoje, penhorada ao capital internacional, e assim, abrir as portas para a realização das necessidades e dos interesses da ampla maioria do povo brasileiro.

Nossa política deve ser também, capaz de mobilizar e movimentar em torno de nosso programa todos os setores sociais em contradição com a política imperialista. As representações políticas partidárias brasileiras em sua maioria mantém relações de subserviência com a burguesia, na maioria das vezes através da política de seus dirigentes que buscam as migalhas do capital. Os socialistas devem disputar os setores em contradição com a política hegemônica do capital, afirmar nosso programa e a partir dele dialogar e deslocar para o nosso campo organizações partidárias em uma perspectiva tática de disputa. Nos diversos Estados brasileiros este choque de interesses se materializa, temos Estados em que o PV, PDT, PPS, PSB que são representações a serviço da burguesia em última instância estão em choque com os interesses hegemônicos do capital financeiro e imperialistas. Temos, portanto que atuar conscientemente e buscar trazê-los para o apoio à nossa política e nossos candidatos.

Esta ação política tática a serviço de nossa estratégia não têm absolutamente nada a ver com concordância programática estratégica ou perspectiva de vislumbrar a disputa do poder a partir da superação de etapas de acúmulo.

Portanto sugerimos as seguintes definições políticas como norteadoras de nosso programa para as eleições 2008:

a) A postura de oposição global ao regime político e aos partidos que o sustentam. Somos oposição de esquerda e lutamos para construir um projeto hegemônico na sociedade que naturalmente, à medida que se afirme, provocará descolamentos em setores de partidos pequeno-burgueses que hoje se constituem em base de sustentação do governo. Este é o caso do PV em Porto Alegre que ao apoiar a candidatura de Luciana Genro confirma o acerto de nossa política no RS.

b) O combate ao neoliberalismo materializado em uma proposta radical de desprivatização do aparelho estatal do município e da denúncia da subordinação das finanças municipais ao caixa da união, hoje totalmente controlado pelo capital financeiro. Esta denúncia deverá ser realizada de forma concreta através de uma campanha para alterar as normas legais que impedem a municipalidade de cobrar o ISSQN dos bancos e de uma auditoria cidadã da dívida pública municipal realizada por representantes dos movimentos sociais e entidades da sociedade civil cujo propósito será desmascarar diante de cada cidadão a espoliação exercida pelo capital financeiro contra os cofres da municipalidade.

c) Proposta de gestão política e econômica exercida diretamente pelos trabalhadores do serviço público municipal, especialmente os que trabalham em atividades fins como saúde e educação, por exemplo, e pelas comunidades usuárias dos serviços públicos municipais.

d) O fomento de uma nova economia na cidade baseada na cooperação e na solidariedade envolvendo os micro e pequenos proprietários, os trabalhadores autônomos, informais e desempregados estimulando sua auto-organização em empresas coletivas de caráter solidário e cooperativo.

e) Realização de uma verdadeira reforma urbana que reduza as desigualdades sociais e amplie o conceito de espaço público equacionando a questão do solo urbano e o problema habitacional, além de retomar o controle municipal sobre os serviços essenciais como o transporte, saúde e saneamento.


II - UMA VELHA NECESSIDADE E UMA NOVA POSSIBILIDADE: A DEMOCRACIA DIRETA COM ORIENTAÇÃO SOCIALISTA

A gestão política e econômica exercida diretamente pelos trabalhadores, pela juventude, pelas comunidades populares da sociedade civil trabalhadora hoje explorada, oprimida, dominada e excluída; este é o verdadeiro desafio deste inicio de século XXI.

Apoiando-nos na apropriação dos poderosos meios científicos e tecnológicos disponíveis na atualidade, reformularemos seus conceitos, subordinando-os aos interesses da maioria do povo, e fundindo-os com a energia de milhares de pessoas para transformá-la em força material irresistível, transformadora e revolucionária.

A base para a construção de um novo projeto socialista é a gestão coletiva das empresas, serviços e programas econômicos diretamente pelos que neles trabalhem e que deles dependam. Esta gestão deve estar organicamente ligada à população usuária de serviços e produtos.

Este é o trilho que nos leva a propor em todas as áreas, desde a gestão direta da máquina pública até a substituição de empresas privadas capitalistas, empreiteiras etc. por coletivos autônomos de trabalhadores hoje desempregados, subempregados ou explorados, tudo fiscalizado e controlado por conselhos públicos de usuários.

Do mesmo modo é possível pensar a informática aplicada à figura de uma sociedade em rede, para acelerar a difusão socializada do conhecimento e da cultura. Mas, sobretudo este seria um mecanismo fundamental para realizar uma verdadeira democratização do poder através da participação instantânea e permanente dos indivíduos na tomada de decisões. Esta é a fantástica possibilidade de refazer a democracia direta dos gregos, da comuna de Paris, dos soviets, sem escravos, sem burocratas, sem a cruel divisão entre os que mandam e os que obedecem, os que decidem e os que executam, os que trabalham e os que desfrutam.

A fabulosa configuração de um Estado dissolvido em células autônomas e interativas encontrou finalmente sua base material que pode e deve ser experimentada no plano municipal.

Do mesmo modo abrem-se as possibilidades de um planejamento econômico e de uma divisão do trabalho realmente democráticos. Baseando-nos nestes pressupostos para um novo projeto socialista é que devemos apresentar nossa proposta de governo, em que os trabalhadores e o povo devem e podem governar.


III - ACABAR COM A CORRUPÇÃO E OS PRIVILÉGIOS, DEMOCRATIZANDO O PODER E MULTIPLICANDO SUA EFICIÊNCIA

A estrutura e o método de administração atual, absolutamente verticalizada e concentrada, fundada em cargos de confiança, divide a máquina da prefeitura em feudos de grupos políticos e econômicos que transformam os negócios públicos em esquemas de corrupção. São licitações viciadas para compra de produtos, contratação de empresas e cabide de emprego para os cabos eleitorais e parentes. Tudo isto consome os recursos do município na manutenção de uma máquina viciada, corrupta e ineficiente que enriquece os administradores e seus sócios ou financiadores. A maioria da população e os servidores públicos não têm nenhum controle da administração recebendo as sobras das negociatas e da corrupção, sem jamais verem satisfeitas suas necessidades e resolvidos seus problemas.

Vamos inverter essa lógica e estabelecer a Gestão Direta da Administração e dos negócios públicos pelos servidores e pela população.


IV - CONGRESSO DOS TRABALHADORES E DO POVO

A instância máxima de decisão no município será composta por delegados eleitos em congresso nos bairros da cidade, em número diretamente proporcional à população, sem remuneração para o exercício do mandato.

Os mandatos dos delegados terão duração máxima de um ano, podendo ser revogados a qualquer momento pelo congresso de base que os elegeu.

O congresso dos trabalhadores e do povo se reunirá a cada 03 meses ordinariamente, ou em emergências, e deliberará sobre todos os assuntos da prefeitura, desde o quadro funcional e a estrutura administrativa até a aplicação orçamentária.

Serão colocados à sua disposição todos os meios técnicos para o perfeito acompanhamento da administração municipal, que disponibilizará todas as informações, sem nenhuma restrição (via Internet) para toda a população em cada unidade da prefeitura e o conselho de base em cada bairro.


V - CONSELHO DE SERVIDORES

Serão reduzidos ao mínimo possível os cargos comissionados e em cada unidade administrativa os funcionários de carreira elegerão um secretariado de direção do órgão, que poderá ser substituído a qualquer momento pela assembléia que o elegeu , podendo esta ser convocada pela base ou pelo Prefeito.

Os eleitos para este secretariado não terão qualquer privilégio financeiro ou material, mantendo as condições originais de suas carreiras. Esta regra deverá ser aplicada em todas as unidades administrativas cujas atividades sejam atividades fins (saúde, educação, assistência social etc.), em outras cuja função é organizar atividades externas à Prefeitura caberá a comunidade alvo, a eleição do secretariado, já em secretarias com funções exclusivamente de atividades meio como a Secretaria de Finanças, os funcionários de carreira elegerão as diretorias ligadas às áreas de recursos humanos e organização do trabalho.

A reunião dos secretariados de cada órgão constituirá o conselho dos servidores municipais. Ele terá a atribuição de aplicar as diretrizes emanadas do congresso dos trabalhadores e do povo, além de, juntamente com as organizações sindicais, elaborar as propostas de planos de cargos e salários e de qualificação profissional dos servidores.

O prefeito contará com conselho político consultivo, por ele nomeado, que terá atribuições de planejamento, elaboração política e fiscalização do desempenho de atividades do secretariado de direção dos órgãos. Esta equipe estará ligada diretamente ao gabinete do prefeito e submeterá suas sugestões e propostas ao conselho dos trabalhadores e do povo.


VI - TROCAR LUCRO POR EMPREGO

O desemprego é a mais séria mazela estrutural do capitalismo no mundo e no Brasil em particular. Produto mais acabado da era da automação, da robótica e da informática, assume em nossa terra a face de uma verdadeira desgraça. É impossível pensar em resolvê-lo de forma conseqüente na esfera das ações municipais. Mas é possível mobilizar a força e a justeza da luta contra essa chaga, usando a administração municipal para apontar o caminho, fomentar a esperança e mitigar o sofrimento.

A prefeitura sob orientação socialista não destinará um centavo de seu orçamento para empresas capitalistas.

Todos estes contratos serão rompidos e os serviços prestados por empreiteiras e empresas terceirizadas serão executados diretamente pela prefeitura ou por empresas coletivas de trabalhadores desempregados. Eles serão chamados a se organizarem e a prefeitura colocará à sua disposição todo aporte técnico e gerencial necessário.

Desenvolveremos um grande plano de serviços e obras públicas. Em cada região, os que ali se encontram desempregados executarão as obras decididas pelo conselho dos trabalhadores e do povo, usando técnicas simples, geradoras de emprego.

A pavimentação, a captação de águas fluviais, os centros de saúde, as escolas, a moradia, a coleta seletiva de lixo serão realizadas a preços com maior impacto social.


VII - NÃO À EXPLORAÇÃO E AO TRABALHO ALIENADO

As empresas coletivas de trabalhadores que prestarão serviços e construirão as obras para o município se organizarão sob métodos democráticos, horizontalizados. Além disso, a remuneração será dividida coletivamente, buscando a redução das diferenças de remuneração entre as funções.

O tempo de trabalho efetivo será limitado a trinta e seis horas semanais. A qualificação profissional, política e cultural será obrigatória para todos os participantes e será realizada ocupando uma parte do tempo livre adquirido com a redução da jornada de trabalho.


VIII - ORGANIZAR OS PEQUENOS PROPRIETÁRIOS

No lugar da repressão a camelôs, fábricas de fundo de quintal, moto taxistas, perueiros, jornaleiros, vendedores, etc., vamos apoiá-los e estimular sua organização coletiva. Esta é uma proposta realista, capaz de aglutinar a força de milhares que se encontram na “clandestinidade”, tratados como marginais pelo poder público, por teimarem em buscar trabalho quando o sistema insiste em excluí-los.

A construção dos espaços urbanos de convivência e lazer e a revitalização de outros contarão com a participação decisiva desses trabalhadores. Ao mesmo tempo, a prefeitura buscará organizá-los coletivamente, multiplicando sua força política e econômica, oferecendo-lhes apoio técnico-gerencial e ajudando-os a buscar o financiamento para suas instalações e funcionamento em locais apropriados, projetados em harmonia com uma cidade que será revolucionada para satisfazer o ser humano em vez de privilegiar a concentração e elitização dos serviços, do comércio e do lazer. Uma política como a que propomos pode potencializar enormemente estas verdadeiras forças dos trabalhadores e pequenos proprietários que hoje são esmagadas pelo grande capital e pelo poder político a seu serviço.


IX - A REFORMA URBANA SERÁ UMA REVOLUÇÃO: A PERIFERIA SERÁ O CENTRO

A estrutura urbana da cidade capitalista penaliza a população pobre concentrando os equipamentos e serviços nos centros nobres próximos aos locais habitados pelas camadas mais ricas da população, enquanto a parcela mais pobre do povo ocupa as periferias, áreas degradadas, dotadas de uma precária infra-estrutura.

Estamos propondo uma reforma urbana presidida pela necessidade de inverter esta lógica, socializando os investimentos e serviços públicos de maneira combinada com a utilização da lei de uso do solo urbano, os códigos de posturas e tributário, para induzir a iniciativa privada a estender seus serviços e estrutura até a periferia.

Vamos propor ao conselho dos trabalhadores e do povo um critério básico de distribuição dos investimentos do município. Tal critério levará em conta o número de habitantes por região ou bairro, combinando-o com os investimentos públicos ali já realizados. Os que mais receberam receberão menos e os que menos receberam receberão mais, iniciando a correção das distorções acumuladas no passado.

Ao mesmo tempo será estabelecida uma completa descentralização dos serviços municipais para que o funcionário trabalhe perto de onde mora e o morador tenha próximo à sua moradia centros de atendimento para tudo que ele tenha que tratar junto à prefeitura.

A lei de uso do solo será modificada, estimulando a ocupação dos vazios urbanos, impedindo a instalação de bancos, hospitais e determinados tipos de comércio onde estes existam em grande quantidade, forçando seu deslocamento para regiões de alta demanda. Além disso serão incorporados os critérios de impostos progressivo e regressivo, solo-criado e taxas de funcionamento segundo o interesse social.

Estes instrumentos golpearão a especulação imobiliária, disponibilizando o solo urbano para a realização de um revolucionário programa habitacional. Dotarão a municipalidade de instrumentos eficazes no controle da ocupação urbana para que ela se dê de modo responsável e planejado segundo o ideal basilar que é a qualidade de vida do ser humano.

Um tema especial desta reforma urbana será a construção de espaços públicos de convivência, lazer e cultura. Grandes parques e espaços urbanos serão destinados ao pequeno comércio, serão indutores da urbanização e funcionarão como centros regionais da cidade voltados para atividades culturais, educativas e de lazer facilitando a integração e promoção social, com especial atenção para a juventude e para o idoso. Os programas para a revitalização de espaços degradados estão incluídos neste critério e serão executados afastando os automóveis devias públicas, que serão transformadas em espaços destinados às atividades musicais, ao pequeno comércio, aos serviços como restaurantes, bares, casas de show, cinemas, ao lazer e à cultura, dentro de uma estética que preserve o patrimônio cultural, sem violentar a história das cidades, ou assentamentos e ocupações que com ela tenham se desenvolvido em harmonia. 


X - A QUESTÃO DA HABITAÇÃO E DO USO DO SOLO URBANO

As mudanças que proporemos na lei do uso do solo e no código tributário imporão pesadíssimos ônus financeiros a um pequeno grupo que controla grandes extensões de terras nas cidades (na área urbana ou de expansão urbana). Eles aguardam que os investimentos públicos valorizem estas áreas para depois transformá-las em lucro fácil com a venda de terrenos a preços abusivos.

Nosso programa para suprir o déficit habitacional, contando com a disponibilidade de terrenos gerada pelo combate à especulação imobiliária e por desapropriações quando necessário se apoiará em três pilares: organização da autoconstrução, luta pela ampliação das fontes e formas de financiamento e criação da central de difusão de materiais e técnicas alternativas.

Mais de 60% das moradias populares na América Latina são produto da autoconstrução.

Nossa proposta é organizar este esforço heróico do povo trabalhador através de uma grande mobilização de toda a comunidade.

Realizaremos uma radiografia criteriosa da situação em cada bairro e organizará a demanda por habitação em um movimento político de reivindicação e solidariedade.

A prefeitura desenvolverá, com estes grupos organizados, a captação de financiamento para aquisição de material, fornecerá equipamentos e contratará cooperativas de trabalhadores para aportar a mão-de-obra complementar para a construção.

A prefeitura construirá, em várias regiões da cidade, centrais de produção e distribuição de materiais de construção, de difusão de projetos, técnicas construtivas e orientação gerencial. Cooperativas de trabalhadores, hoje desempregados, (do servente ao engenheiro e arquiteto), serão contratadas para desenvolver e construir projetos habitacionais a baixo custo. Outros produzirão em larga escala materiais que demandam relativa simplicidade técnica, tais como elementos de alvenaria, materiais de reciclagem, esquadrias, lajes, tintas etc., que serão destinados às obras. Pequenas empresas familiares, de fundo de quintal ou clandestinas, que produzem materiais similares serão chamadas a constituírem um condomínio de pequenos fornecedores para o nosso programa habitacional, recebendo em troca a regularização fiscal e aporte técnico-gerencial.


XI - CONCLUSÃO

Este esboço de proposta de Governo tem como pressuposto para seu desenvolvimento a incorporação autônoma dos sujeitos sociais com os quais queremos partilhar a responsabilidade de governar, assim, nossa proposta só poderá ser desenvolvida tecnicamente através da incorporação dos diversos setores sociais, da educação, da saúde, da cultura, do planejamento urbano, dos feirantes, dos sem-tetos, à elaboração coletiva deste programa. Buscaremos na força criadora e na mobilização do povo as soluções para enfrentar a sabotagem política e a escassez financeira provocada pela política econômica vigente. O único pressuposto do qual não abrimos mão transita há mais de 150 anos pelos caminhos da esquerda socialista sem jamais ter encontrado um porto seguro onde pudesse fincar raízes e desenvolver-se livremente. Nós queremos abrigá-lo e transformar as tintas que escreveram no passado “A libertação dos trabalhadores será obra dos próprios trabalhadores” em sentimentos humanos reais, em força política que ressurge, em movimento que recomeça.


Assinam:
Martiniano Cavalcante - Executiva Nacional PSOL / Presidente PSOL-GO
Jefferson Moura - Executiva Nacional / Presidente PSOL-RJ
Janira Rocha – Direção Nacional do PSOL - RJ
Elias Vaz – Vereador – Executiva Estadual PSOL GO
Osmarino Amâncio-Presidente Estadual PSOL AC / Direção Nacional PSOL
Marilda Terezinha – Direção Nacional PSOL – MG
João Batista da Fonseca – Direção Nacional PSOL - MG
Rolando Medeiros – SINDSPREV/RJ
Prisco - PSOL Salvador BA
Pedro Del Castro – Suplente Diretório Nacional – DF
Barreto - Coordenação Nacional Sindical - CONLUTAS
Isaac Loureiro – Direção Estadual PSOL/RJ
Shirley Coelho – Direção Estadual PSOL/RJ
André Peliccione – Executiva Estadual PSOL/RJ
Oswaldo Mendes – Direção Estadual PSOL/RJ
Gilberto Mesquita – Direção Estadual PSOL/RJ
Antonio – Presidente PSOL Nova Iguaçu
Nilcéia – Executiva PSOL Nova Iguaçu
Albirato – Presidente do PSOL São João de Meriti
Maiara – PSOL São João de Meriti
Alex – PSOL São João de Meriti
Julio Tavarel – PSOL/RJ
João Bosco – PSOL/RJ
Nanci Resinger – PSOL/RJ
Octaciano – Presidente do PSOL Magé
Rose – PSOL Magé
Maria das Graças(KUKA) – Direção Estadual PSOL/RJ
Conceição – Direção PSOL Maricá
Mariah Casanova – PSOL Niterói
Sidnei Castro – PSOL/RJ
Olinda – PSOL São João de Meriti
Manoel Crispim – PSOL Araruama
Paulo Américo – PSOL Teresópolis
Nereu (Maré-RJ)
Zé (MTL agrário-RJ)
Jovaci (MTL agrário-RJ)
Robinho (Sindsprev-RJ)
Irineu (Sindsprev-RJ)
Júlio Condac RJ
Sargento (Bangu-RJ)
Mário (núcleo centro-RJ)
Valéria (núcleo centro-RJ)
Severina RJ
Mariano Gonçalves RJ
Maria Ivone RJ
Tão (Morro do Estado-RJ)
Francisco (Vila Aliança-RJ)
Marcelo Contreras (Vila Aliança-RJ)
Jorginho (Vila Aliança-RJ)
Jaime (Magé-RJ)
Xisto (Ferroviário/Providência-RJ)           
Jane (São Gonçalo-RJ)
Célio(São Gonçalo-RJ)
Paulo (São João de Meriti-RJ)
Ofélia (núcleo sindical e popular-RJ)
Pedro (núcleo sindical e popular-RJ)
Severo (núcleo sindical e popular-RJ)
Claudinei (Sindsprev Comunitário-RJ)
Aníbal (núcleo motoristas-RJ)
Sidnei (Caxias-RJ)
Isaac Loureiro Júnior RJ
Patrícia (Hospital P. II-RJ)
Luis Henrique (HSE-RJ)
Edite (Sindsprev-RJ)
Lurdinha (Zona Oeste-RJ)
Eliana (Zona Oeste-RJ)
Miranda (Zona Oeste-RJ)
Otamir Silva de Castro (Bancário-DF)
Lúcio Resende (Militar Aposentado-DF).
José Maria Gomes (Agricultor-DF)
Leci Maria de C. Augusto Costa (Prof Fund Educacional-DF)
Neli Braga (Executiva PSOL-DF)
Rosa Celestina da Silva (DF)
Francisco Carlos Sales (Bancário-DF)
Mardones da Costa Flores Sobrinho (SINDPREV-DF)
Carmem Casagrande Carneiro (Aposentada-DF).
Vitor de Deus (Estudante-DF)
Vilma Viana Rodrigues (SINDPREV-DF)
Nivea M de Melo (Professora da Fundação Educacional-DF)
Lourival Muniz Reis (Presidente SINSERF-DF)
Léo Pain (Bancário-DF)
Gilberto Soares da Silva (SINDPREV-DF)
Haldor Omar - Executiva PSOL São Bernardo – SP
Carlão – Oposição dos Condutores - SP
José Inocêncio – Oposição dos Condutores - SP
Esmeraldo – Sindicato Químicos Unificado - SP
Antonio Silva Santos  - Oposição dos Condutores – Suzano - SP
Eli Santos -  SINSPREV/SP
Luizão - Associação do Trabalhadores do Transporte e Anexos de SP
Rubens Sena de Souza - Núcleo Pq das Flores – São Bernardo/SP
Dim Cabral – MTL Triângulo Mineiro
Wester Teodoro (Nem) – MTL Triângulo Mineiro
Maria Aparecida Costa – MTL Triângulo Mineiro
Fernando Nascimento – MTL Triângulo Mineiro
Maria das Graças de Paula – MTL Triângulo Mineiro
Deodato Divino Machado – MTL Triângulo Mineiro
Rubens Araújo – MTL Triângulo Mineiro
Eraldo Melo Souza  – MTL Triângulo Mineiro
Zákia dos Reis Barroso (Bancária-GO)
Nilton Nalin (Águas Lindas - Direção Estadual -GO
Carlos Custodio de Oliveira - Direção Estadual-GO
Jose Alves Pereira Filho - Direção Estadual-GO
Enio Brito de Sá - Direção Estadual-GO
Osmar Antônio Camargos - Direção Estadual-GO
Divino Luiz Ribeiro (Mineiros - Direção Estadual-GO)
Noemi de Assis Camargos Núcleo Gab VerElias Vaz-GO
Vinicius Cavalcante - Aparecida de Goiânia-GO
Marcio Antonio Chaves - Núcleo Gab. Ver. Elias Vaz-GO
Alberico Athaide Cavalcante - Aparecida de Goiânia-GO
Vitor Valente – DCE UFG - GO
Carlos Alberto Vicente – Sintrago -GO
Alessandro M Guimarães Núcleo Gab Ver. Elias Vaz-GO
Constantino Isidoro Filho Núcleo Gab Ver. Elias Vaz-GO
Rogério Paz Lima - Núcleo Gab. Ver. Elias Vaz-GO
Américo Novaes- Direção Estadual - Mov. Sem Teto-GO
Kilses Sthefany - Mov. Sem Teto-GO
Elber Sampaio (Anápolis - Direção Estadual-GO)
Gastão Visgueira (S.Antôn Descoberto/Direção Estadual-GO)
Professor Justino Diogo (Rio Verde  - Direção Estadual-GO)
Aldemir Antonio Camargo - Miro – Taxista-GO
Dejair Ferreira Camargo - Dj Camargo – Humorista-GO
Marcelo Caetano - Funcionário Público-GO
Dinalva Pereira de Araújo – Costureira-GO
Maria Guimar Morais – Professora-GO
Ricardo Silvio de Lima – Motorista-GO
Adriano Iarenko - Lider Comunitário-GO
Farid Abreu Pereira - Locutor - Lider Comunitário-GO
Marcos Antonio Chaves da Silva – Mototaxista-GO
Antonio Nonato da Silva - Líder Comunitário-GO
Flavio Pereira Dias – Motoboy-GO
Joana Darc – Cootego-GO

 
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