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Nossas correntes decidiram iniciar um processo de fusão de suas organizações. Com ela, nosso objetivo é fortalecer o PSOL e lutar para transformá-lo numa alternativa de poder dos trabalhadores e do povo, uma alternativa que acumule a força política necessária para construir um Brasil independente, democrático e socialista, sem explorados nem exploradores.
O PSOL surgiu como uma necessidade diante da falência do PT enquanto representação política das forças socialistas e populares. Um "abrigo para a esquerda socialista e democrática", como disse muitas vezes Heloisa Helena. Começou reagrupando um conjunto de correntes e militantes que não se venderam ao poder do grande capital e mantiveram sua coerência histórica em defesa da luta dos trabalhadores. Em apenas três anos o PSOL se converteu em importante alternativa de oposição de esquerda ao regime, ao governo e aos partidos que lhe dão sustentação. Hoje é conhecido e respeitado por muitos setores do povo brasileiro. A votação de Heloisa Helena nas últimas eleições presidenciais confirmou a existência de um enorme espaço político para um novo partido de esquerda e lançou o desafio de ocupá-lo, da forma mais estruturada possível. Ocupar este espaço significa consolidar o PSOL como projeto eleitoral de massas e enraizando nos movimentos sociais, nos setores populares, nas categorias de trabalhadores, na juventude e na intelectualidade progressista. Para conquistar este objetivo, teremos que converter os militantes mais ativos e avançados, aqueles que se destacam em cada frente da luta política e social, em sujeitos construtores do PSOL. Assim poderemos transformar nosso partido em referencia ativa para os milhões de brasileiros que necessitam e que desejam construir este novo Brasil. Além destes parâmetros objetivos vale destacar que a declaração de inconstitucionalidade da cláusula de barreira pelo Supremo Tribunal Federal, sepultou, ao menos momentaneamente, a ameaça de marginalização institucional que os partidos da ordem tentavam nos impor. Em conseqüência desta vitória o fundo partidário passou a ser distribuído de maneira mais democrática. Desse modo o PSOL passa a contar com o mínimo de recursos necessários para que nosso partido aproveite as atuais condições e avance em direção aos seus objetivos históricos. Nosso novo partido, socialista e libertário, nasceu de um reagrupamento de forças com diferentes opiniões e pontos de vista. Neste rico processo nossas correntes foram construindo importantes concordâncias de opinião sobre orientações políticas e bases estratégicas. Algumas delas estão expostas neste manifesto e acreditamos que nos guiarão com segurança no processo de fusão que decidimos iniciar. Com espírito aberto convidamos todos aqueles militantes que valorizam a diversidade, mas que acreditam na síntese e na unidade como pontos superiores da diversidade para construção de um partido estratégico a compartilharem conosco as motivações e os objetivos que nos levam a esta fusão. Ela não é uma fusão contra as outras correntes, mas sim o resultado lógico do rico processo de encontro entre posições essenciais e convergentes que nos últimos três anos estiveram lado a lado na luta pelo fortalecimento do nosso partido como um todo e na tentativa de orientá-lo pelo melhor caminho, da melhor forma possível, para construção do socialismo, o outro mundo possível e necessário neste século XXI. Decadência e crise do sistema capitalista-imperialista A chamada globalização e o neoliberalismo impuseram um selvagem aumento da exploração do trabalho tanto na periferia quanto nos centros dominantes do mundo capitalista. Isto ocorreu como uma tentativa desesperada das classes dominantes de manterem as taxas de lucro do grande capital. Sua tendência de queda persiste devido à aplicação crescente da ciência e do conhecimento na produção. Este processo solapou as bases materiais sobre as quais se ergueram o pacto de estabilidade política e “estado de bem estar social”, o chamado "pacto fordista", nos países desenvolvidos. Assim, no chamado "primeiro mundo", os trabalhadores passaram a enfrentar os mesmos tipos de ataques contra suas condições de vida enfrentadas pelos trabalhadores nos países “subdesenvolvidos”. Tanto nuns quanto em noutros, disseminou-se o desemprego estrutural, generalizou-se uma onda de contra-reformas visando destruir o caráter publico e universal da previdência social, generalizaram-se à flexibilização e a precarização da legislação trabalhista, além do achatamento de salários. Como conseqüência da contradição entre a elevadíssima potência produtiva do sistema capitalista e sua própria natureza de exploração do trabalho uma parte cada vez mais preponderante do capital acumulado foi se deslocando da esfera da produção para a esfera puramente financeira. Isto porque estes capitais não podem mais ser reinvestidos na produção sob pena de explodirem a economia mundial com uma inimaginável crise de superprodução de mercadorias. Assim forma-se uma nuvem de capital especulativo, puramente financeiro, que precisa ser alimentada por uma valorização permanente. Para garantir esta valorização permanente do capital financeiro o imperialismo mundial adquiriu uma nova dinâmica marcada por uma ofensiva de semi-colonização dos países periféricos sem antecedentes. Fosse através das privatizações das empresas e serviços públicos nacionais, da desnacionalização das riquezas naturais ou através da política de endividamento, os governos neoliberais causaram grandes sofrimentos aos seus povos, provocaram o aumento da pobreza e da crise social, e dilaceraram os mais elementares traços de soberania de seus países. Mesmo a esse custo a chamada globalização neo-liberal não foi capaz de reverter a situação econômica no sentido de garantir crescimento sustentável e estabilidade política para a burguesia imperialista. Ao contrário, as contradições econômicas se agravam e o declínio dos Estados Unidos, como potência dominante do sistema, continua se aprofundando e revelando contradições agudas que incidem sobre sua própria classe dominante expondo seus traços mais reacionários. Uma nova onda de intervenções militares é desencadeada pelo departamento de Estado norte americano. Fundamentada através da teoria do ataque preventivo, apesar da enorme máquina de propaganda, o imperialismo não conseguiu esconder seu verdadeiro sentido de guerra de rapina destinada a espoliar os recursos naturais de países e continentes inteiros, cujos povos são massacrados sem o menor respeito aos mais elementares direitos humanos. No plano interno, inclusive nos chamados templos da democracia burguesa (E.U.A, Inglaterra e França), as forças do capital atacam as liberdades e os direitos civis, agora ameaçadas com a guerra do império contra o mundo. Movidos por suas próprias contradições estruturais, os estados capitalistas intensificam o uso de violência e da repressão contra os trabalhadores, os pobres, os imigrantes e os movimentos sociais progressivos. Ao mesmo tempo tentam legitimar suas ações através da manipulação ideológica levada a cabo por sofisticados meios de comunicação de massas. Esta manipulação tenta, a todo custo, consolidar uma base social de características fascistas para fortalecer lideranças políticas que ressuscitam o estimulo ao ódio racial, os preconceitos quanto à orientação sexual, a xenofobia e o chauvinismo. Desmentindo os que prognosticaram uma prolongada era de paz e prosperidade para a humanidade após a pretensa vitória final do capitalismo quando este reabsorveu os chamados países do “socialismo real”, a história segue seu ritmo tempestuoso e expõe a catástrofe a que o imperialismo tem conduzido a civilização humana na fase da globalização e do neoliberalismo. Neste cenário as contradições sociais mostram a polarização completa: a miserabilidade de 3 bilhões de seres humanos, por um lado, e a opulência de uma minoria de magnatas que controlam o capital financeiro em todo mundo por outro lado. E o domínio dos magnatas produz um cenário ecológico insustentável, com um padrão de produção e de consumo do capitalismo que ameaça extinguir as condições para reprodução da vida humana no planeta num futuro ainda indeterminado mas cada vez mais presente. Este é o pano de fundo sobre o qual se desenvolve a resistência de massas em todo o mundo, que determina o inicio da derrota dos EUA e de seus aliados na ocupação do Iraque, que anuncia o crescimento das alternativas antiimperialista no Oriente Médio e na América Latina e explica a derrota eleitoral e a desmoralização de George Bush e de seus falcões republicanos junto a opinião publica norte americana. Mesmo diante deste quadro os círculos dominantes da oligarquia financeira internacional são incapazes, devido às contradições objetivas do sistema, de oferecer concessões materiais substanciais para as massas pobres do mundo, de respeitar a auto-determinação dos povos e a democracia, de superar a insustentabilidade ecológica do seu sistema econômico e de banir do horizonte a ameaça de uma catástrofe global. Por tudo isto é que, neste inicio de século XXI, a humanidade esta mais próxima do que nunca do dilema histórico antecipado por Marx, Engels, Lênin, Trotsky e Rosa Luxemburgo: socialismo ou barbárie. Um novo auge da luta antiimperialista no mundo O Século XXI se iniciou com uma nova situação internacional.As agressões imperialistas de um lado, e as respostas de massas do outro, foram e são os pólos que formam o mundo muito mais instável, carregado de situações mais explosivas, de polarização social, de guerras e de conflitos nacionais. Depois de mais de duas décadas de ofensiva neoliberal o signo da situação está mudando. O imperialismo estadunidense está sofrendo uma derrota no Iraque - que influencia a luta em todo o Oriente Médio - enquanto na América Latina surgiu um novo movimento antiimperialista que tem como vanguarda o processo bolivariano na Venezuela.Estes são os pontos mais elevados de uma luta de massas que está invertendo a situação de forte ofensiva neoliberal inaugurada na era Thatcher e Reagan e coloca em questão a hegemonia dos Estados Unidos, sobre a qual se sustenta o sistema de dominação do capitalismo imperialista. Por estas razões é que PSOL deve sentir-se parte desta luta antiimperialista e anticapitalista ajudando o povo e os trabalhadores brasileiros a sentirem o mesmo. A vitória ou a derrota da luta socialista no Brasil está vinculada a essa luta internacional dos trabalhadores e dos setores explorados e, em particular, ao processo de luta antiimperialista que se desenvolveu em nosso continente de modo recíproco o destino da revolução democrática e anticapitalista que se levanta na América Latina estará em última instância vinculado a evolução de luta de classes no Brasil. Ao lado da Venezuela e na luta continental antiimperialista A América Latina vive um auge da luta antiimperialista como não se via desde a década de 60. Grandes mobilizações mudaram a face do continente. Desde o levante indígena do Equador, em 98, chamado "Revolução Arco-Íris", seguido das rebeliões populares na Argentina em 2001, Bolívia em 2003 e em 2005, e novamente no Equador em 2006. Na Venezuela o heroísmo do povo impôs uma derrota à um golpe orquestrado diretamente pelos EUA através da mobilização de massas e também pela via eleitoral, sobretudo no referendo revogatório. Em todas estas ondas revolucionárias a História nos contemplou com uma complexa e intrigante combinação entre a luta direta das massas, as insurreições populares e os processos eleitorais. Novos sujeitos sociais e políticos se apresentam, expressando as experiências de luta e de organização que foram capazes de fundir a batalha pela sobrevivência imediata dos trabalhadores com um projeto estratégico de transformação política e social. As atuais ebulições sociais e políticas na América Latina revelam claramente a existência de uma vigorosa fase democrática – antiimperialista na luta de classes. Tarefas como a renacionalização dos recursos naturais, as lutas por profundas mudanças democráticas, a defesa de reivindicações populares elementares e vitais e a necessidade histórica da integração independente da América Latina adquirem a dimensão de eixos estruturantes desta luta continental. Na Venezuela, mas também na Bolívia e agora no Equador, foram dados passos muito importantes contra a dominação imperialista. Ao iniciar o processo de nacionalização dos recursos naturais e enfrentar os regimes neoliberais os governos destes países fazem parte de uma fase enormemente progressiva de mobilização de todos os explorados que só poderá avançar assumido um caráter anticapitalista. Assim, o conteúdo socialista destas lutas mesmo que se encontre mais mediado pela forma democrática e antiimperialista poderá se afirmar como a única saída estratégica possível sob a ótica dos interesses operários e populares. As novas medidas de nacionalizações anunciadas por Chávez e suas novas reformas democráticas, mostram que o processo bolivariano, mesmo com suas contradições, se aprofunda. Trata-se de uma expressão política de um nacionalismo revolucionário que tem enfrentado a burguesia pró-imperialista em seu país, ao mesmo tempo em que tenta desmantelar os instrumentos de dominação política a serviço do grande capital e do imperialismo. A Venezuela se converteu em um país independente, assim como Cuba e o Irã, abrindo brechas importantes na dominação imperialista em nosso continente. O futuro da Venezuela só poderá ser assegurado pelo avanço da luta antiimperialista, democrática, popular e socialista em outros países da América Latina. Assim poderão ser criadas condições para que o povo Venezuelano possa tomar de forma mais decisiva o poder econômico da burguesia e avançar na transição até o verdadeiro socialismo do Século XXI. O nosso apoio à Venezuela não pode ser uma mera expressão de solidariedade. Devemos estar na primeira linha defendendo as nacionalizações, a ALBA em contraposição ao ALCA e à crise do Mercosul, como modelo de integração continental, rechaçando o controle dos EUA e de outros países imperialistas sobre os destinos de nossos povos. Apoiaremos as medidas governamentais que façam avançar o processo bolivariano, fazendo unidade e frente comum ao redor delas, para impulsionar a organização e mobilização dos trabalhadores e do povo. O PSOL nasceu com uma vocação internacionalista que desperta simpatia e esperança em numerosas organizações de esquerda. Por isso devemos emprestar nosso apoio franco e decidido a todas as lutas e organizações conseqüentes que enfrentam o imperialismo. E este princípio deve ser aplicado com disposição redobrada quando se trata da América Latina onde o Brasil pode jogar um papel decisivo. É assim que poderemos contribuir efetivamente para a verdadeira integração Latina, para bom desenvolvimento da luta democrática antiimperialista e socialista e para o florescimento de uma nova organização mundial que reagrupe os internacionalistas. Lula e o PT optaram por governar a serviço do grande capital e do imperialismo Lula e o PT receberam do povo brasileiro voto e apoio para promover profundas mudanças na ordem política, econômica e social colocando assim o Brasil como parte ativa do novo processo latino-americano. Mas Lula e o PT preferiram aliar-se ao grande capital e ao imperialismo dando continuidade ao modelo neoliberal implementado por FHC. Tanto no primeiro governo como no atual servem ao grande capital brasileiro, estruturalmente associado ao imperialismo norte americano. O PT afirmou-se, definitivamente, como Partido da ordem capitalista. Uma grande máquina eleitoral financiada pelas contribuições de bancos e empresas capitalistas e dos burocratas que comandavam mandatos parlamentares, prefeituras e governos estaduais se afastando da militância social, tanto organizativa, quanto programaticamente cumprindo plenamente, a tarefa de governar para o capital. Toda dissimulação da diplomacia lulista desmascarou-se, revelando sua clara opção ao receber com todas as pompas o famigerado presidente dos Estados Unidos da América. A nova viagem de Bush ao Brasil é uma mostra mais autêntica dessa relação estabelecida pelo governo petista. Diante da situação de debilidade do governo Bush, o governo brasileiro juntou-se aos governos da Colômbia e do México para ajudá-lo, em sua infeliz tentativa, de recompor a dominação dos EUA no continente. A Afirmação do PSOL, como alternativa de poder, exige uma oposição frontal ao governo Lula. A bancarrota petista é irreversível. Não temos nenhuma expectativa de disputas em seu interior; elas existem e existirão, mas se resolverão ao redor dos interesses do aparato. O PT já não tem possibilidades de uma reversão de seu rumo, é um partido incorporado aos mecanismos de dominação da grande burguesia e do imperialismo. Com a capitulação do PT e a assimilação da direção da CUT fechou-se um ciclo na organização das forças representativas da classe trabalhadora, dos movimentos sociais e da esquerda. Fechou-se o ciclo do PT e do Lulismo e iniciou-se um novo ciclo de formação de uma nova direção política e sindical no movimento dos trabalhadores. Um processo ainda em gestação que enfrenta as dificuldades lógicas para se consolidar em um período de transição: o velho morre num ritmo mais rápido do que nascem as novas direções e entidades combativas. A experiência inconclusa com Lula com PT no governo ainda possibilitam às direções governistas atuarem de forma eficiente para bloquear as manifestações independentes dos trabalhadores e do povo. No entanto, uma atitude decidida dos socialistas, uma política correta, uma militância paciente e conseqüente junto às lutas do povo e seus combates cotidianos abrem a possibilidade, de que o PSOL seja além de uma referência política e de uma alternativa global, mais um instrumento para suas lutas diárias, uma ferramenta que auxilie os trabalhadores a superar esta transição, e enfrentar o governo, lutar por suas reivindicações, e construir novas e combativas organizações de massas derrotando e superando as direções governistas. Por isso o PSOL deve afirmar-se como pólo político, portador de um projeto global, de oposição intransigente ao governo petista e a seu projeto. Nosso projeto deve ser disputado e construído nas eleições e nas lutas do povo pobre e trabalhador. Devemos ser parte ativa das mobilizações e dos debates, intervindo com o propósito de construir uma alternativa política ao modelo neoliberal e aos partidos que o sustentam, especialmente, ao PT e ao PSDB. Na atual conjuntura brasileira o PSOL deve continuar sendo sujeito ativo da luta direta e preparando-se com a máxima seriedade para a disputa institucional. Um partido novo contra a velha política nas ruas e nas urnas. É preciso iniciar um processo de acúmulo de forças para um novo sindicalismo que represente um rompimento com o burocratismo, o autoritarismo e o sindicalismo de resultados. Este processo só pode expressar-se pela base, construindo um sindicalismo colado nas reivindicações dos trabalhadores e da classe operária industrial, que não é mais exatamente a mesma do ABC de 1979 em termos de peso social, marcada pelos avanços tecnológicos e pela fragmentação maior, mas que continua com o antagonismo irreconciliável com os interesses do capital, necessitando, portanto, de uma luta intransigente por seus interesses próprios, por suas reivindicações imediatas e históricas. Ao mesmo tempo impõe-se ao movimento a ruptura com o "modelo" de organização baseado na lógica restrita, que vincula e, muitas vezes, submete a organização da classe ao processo de trabalho de forma economicista e corporativa, sem perceber que a classe trabalhadora necessita desenvolver sua organização independente, por local de trabalho, fortalecendo seus sindicatos, mas também se conectando com o povo em geral, dialogando com a população, se organizando também com os desempregados, com os camponeses, sem terra, estudantes, se articulando de modo unificado. O movimento sindical hegemonizado pela CUT desenvolveu um profundo processo de burocratização e distanciamento das bases e submeteu-se a cooptação estabelecida pelo governo Lula. Em meio a tantas mudanças políticas e transformações no mundo do trabalho, a partir das experiências de unidade dos trabalhadores sem terra, trabalhadores desempregados, informais, precarizados, estudantes, sindicalistas de esquerda e militantes socialistas de diversas origens poderemos enfrentar os novos desafios à organização política e social do proletariado. Neste contexto o desenvolvimento do nosso projeto político deve afirmar-se sob a lógica da intervenção e da ação inovadora. Organizando e aglutinando segmentos distintos de trabalhadores sob uma mesma "bandeira". Superando estas exigências concretas da realidade atual do mundo do trabalho é que poderemos avançar. Isto só poderá acontecer caso compreendamos a situação fragmentada do mundo do trabalho, e a falência do PT e da CUT como instrumentos de unificação da classe trabalhadora. Em oposição ao que traiu e faliu é preciso construir novas alternativas que possam unir os diversos segmentos do proletariado brasileiro. Devemos por isso impulsionar todas as tentativas de organização e reunificação destes setores em espaços organizativos cada vez mais amplos. Neste sentido o Movimento Terra Trabalho e Liberdade (MTL) é para nós a mais rica experiência voltada para refazer esta unidade, juntando os excluídos do campo e da cidade e articulando-os às demais lutas e organizações como a CONLUTAS (coordenação nacional de lutas) e a Intersindical. Por sua vez, a unidade necessária dos movimentos do povo trabalhador e das camadas médias deve expressar-se na materialização de uma frente social e política para desenvolver-se como alternativa de organização social e de disputa do poder político no Brasil. Devemos lutar para que todas estas expressões de recomposição do movimento dos trabalhadores tenham confluência e unidade no combate intransigente às forças de sustentação do grande capital, especialmente ao governo Lula. Só na oposição poderemos afirmar essa necessária reorganização e construir uma alternativa para as massas. Finalmente, é preciso incentivar e apoiar as alternativas econômicas para sobrevivência e auto-sustentação dos trabalhadores, desenvolvendo o controle do processo de trabalho e ampliando as formas cooperativas de organização econômica. Um novo bloco político e social contra o atual modelo político econômico é possível. A principal contradição da realidade brasileira opõe aos interesses da ampla maioria do povo e dos trabalhadores àqueles representados pelo capital internacional, pelos grandes monopólios e pelo grande latifúndio. Portanto, a revolução brasileira será obra de milhões de homens e mulheres tais como são, na sua diversidade ideológica, religiosa e política. Além do proletariado brasileiro, em toda sua diversidade, das camadas médias urbanas e rurais há uma ampla parcela da pequena burguesia brasileira, a começar pelo campesinato pobre e pelos micros empresários, que é levado à falência cotidianamente vendendo seus interesses materiais e as suas aspirações de vida esmagados pelo poderio econômico dos grandes monopólios e do capital financeiro, pela estrutura do Estado e pelas políticas econômicas e sociais por ele desenvolvidas a serviço do grande capital. A classe média assalariada e inúmeras categorias de profissionais liberais vivem em processo crescente de proletarização. Os camponeses sem terra, os pequenos e médios agricultores não tem perspectiva num modelo de concentração de renda no campo sob domínio dos latifúndios e das multinacionais. Setores das Forças Armadas sucateados pelos planos neoliberais demonstram crescente insatisfação com este modelo. As rebeliões e greves das policias militares em 1997, e as mobilizações das mulheres dos oficiais do exército não podem ser esquecidas. Setores minoritários de burguesias regionais, são levados à uma marginalização crescente pelo caráter centralista e concentrador dos recursos na União, característico do modelo neoliberal. Existem inúmeras motivações objetivas na realidade brasileira para a formação de um bloco político que possa impulsionar a luta pela ruptura com o imperialismo, desencadear uma revolução democrática cuja realização plena significa desenvolver a revolução socialista e conquistar a emancipação social de nosso povo, construindo um modelo econômico ecologicamente sustentável. Estas são tarefas de transição que combinam em nossa complexa realidade concreta com a luta estratégica pelo socialismo. Por tudo isso é que o PSOL deve lutar com todas as suas forças para aglutinar a mais ampla unidade dos setores sociais que enfrentam, cotidianamente, contradições, insuperáveis, com o poder do imperialismo e do grande capital. Nosso esforço deve ser nas ruas e na disputa eleitoral. Também neste terreno nossa atuação deve ser impecável, tratando de buscar também aí um fortalecimento de nossa estratégia por um novo poder. Então, como orientação geral o PSOL deve defender o seu programa e procurar toda unidade de ação em frente única com todos aqueles que queiram marchar conosco seja por acordos parciais para a mobilização ou por acordos políticos táticos ou mais profundos para enfrentar o governo Lula e o regime, bem como os governos estaduais da burguesia . Por sua vez, nossa política de alianças deve ter a ampliação máxima desde que seja baseada na defesa de um programa de ruptura com o grande capital, de denúncia da corrupção, com expressão clara em defesa da oposição ao bloco PT/governo Lula e ao bloco PSDB/PFL, e desde que o PSOL mantenha e a mais total independência política como partido, para defender todos seus pontos de vista e de seu Programa. As tarefas democráticas e antiimperialistas: o caminho da Revolução Brasileira A crise econômica estrutural e a crise social brasileira continuarão se aprofundando; não existe saída, sob a ótica dos interesses dos trabalhadores e das amplas massas populares sem uma mudança profunda no poder político e econômico do país. Essa mudança não pode ser feita pela grande burguesia brasileira nem por seus representantes políticos. Só poderá ser realizada por um novo poder político, por um governo que seja a expressão dos interesses de classe dos trabalhadores e do povo. O PSOL nasceu com a postulação de construir essa nova hegemonia histórica para conquistar o poder e transformar Brasil num país independente, sem explorados nem exploradores. Para isso as forças sociais e políticas interessadas em impulsionar a revolução brasileira têm adiante três tarefas: a independência nacional; uma profunda democratização que significa mudar o atual regime político que transformou as instituições e partidos em servos do grande capital; e a resolução imediata das reivindicações sociais mais necessárias para o povo, o salário, a saúde e a educação. Avançar na independência do país do imperialismo significa hoje a recuperação de seus recursos naturais, a nacionalização completa da Petrobrás, que hoje tem 62% de capitais privados, à reestatização da Vale do Rio Doce, da Companhia Siderúrgica Nacional, da CSN, da Embratel e a defesa intransigente do serviço público. Significa também terminar com a independência do capital financeiro, suspendendo o pagamento dos juros da dívida externa e interna, fazendo a auditoria das mesmas, impor o controle de cambio e das remessas de lucro. Realizar a reforma agrária, a reforma urbana, a defesa do ecossistema. O atual desmonte das madeireiras. A luta por terra em nosso país deve responder as necessidades do povo. Somente um processo de posse coletiva com empreendimentos viáveis econômica e ecologicamente podem garantir um efetivo processo de reforma agrária. Experiências que começam a ser gestadas como as empresas rurais comunitária (experiência realizada pelo MTL em Uberlândia-MG) são uma referência. A Reforma Agrária é, portanto, um instrumento de radicalidade contra as concentrações da terra, da riqueza, do conhecimento, do poder político e contra o atual padrão tecnológico. Na medida que ela confronta o latifúndio e a grande empresa capitalista e propõe a organização produtiva em novas bases sociais e culturais, ela assume um caráter de luta de classes carregada de conteúdo revolucionário. A Reforma Agrária não se realizará nos marcos do capitalismo, mas sua luta representa a possibilidade de organização de milhões de excluídos, do campo e da cidade, que poderão se tornar sujeitos da transformação social. Fortalecer o PSOL para ganhar influência de massas Uma parcela, ainda minoritária da sociedade vê com simpatia um novo projeto de esquerda: o PSOL. As raízes sociais deste novo partido são ainda incipientes, mas existem e crescem. Seu simbolismo é enorme, expressão de que existe uma esquerda autêntica e coerente, que não se vende e que mantém firmes as bandeiras históricas do movimento dos trabalhadores e do socialismo. Por isso a aposta no partido é tão determinante. O PSOL tem se construído a partir da base, em muitas cidades de modo espontâneo. Isso demonstra acerto estratégico das organizações e militantes socialistas que se opuseram ao curso traidor do PT e iniciaram, ainda, em 2004 a fundação do nosso partido. Agora é preciso fortalecer o PSOL, ampliar e consolidar sua influência estrutural de massas, e ao mesmo tempo transformá-lo em verdadeira força eleitoral para incidir, de maneira decisiva sobre um amplo e novo bloco de forças sociais exploradas pelo imperialismo, construindo assim uma alternativa de poder para os trabalhadores e para o povo brasileiros. Mas para isso será preciso saber dialogar com os novos setores que se aproximam do partido, e fundamentalmente levar em conta, tanto o desenvolvimento presente da luta de classes quanto à consciência atual das massas. O caráter socialista e revolucionário de nosso programa não pode limitar a entrada no partido daqueles setores de massa que ainda não tem solidez ideológica para assimilá-lo completamente. Isto seria um grave erro, pois estaríamos transformando o PSOL num partido de quadros sem ambição de organizar setores de massas ou no mínimo de influenciá-lo de modo decisivo, o que nos levaria inevitavelmente ao dogmatismo. É preciso garantir a incorporação de todos os novos militantes que queiram contribuir com a construção do partido e, ao mesmo tempo, criar um ambiente interno no qual seja possível nivelar o processo de discussão, de elaboração e de ação entre velhos e novos militantes. Isto só será possível com uma revolução organizativa. É fundamental que o partido ganhe vida orgânica. A força interna do partido se constrói fortalecendo suas instâncias organizativas. Um regime interno que se baseie numa ampla democracia e ao mesmo tempo em unidade de ação para assegurar que o partido atue com uma única política decidida coletivamente. Esta revolução organizativa se iniciará com a constituição de uma verdadeira sede nacional e de uma equipe política capaz de centralizar a vida orgânica do partido em todo país. Para isso termos que laçar mão de meios e recursos tecnológicos modernos com um sistema audacioso de informatização que nos permita utilizar de teleconferências e comunicação interativa para reduzir as distâncias deste país continental. Além de tudo isso, teremos que intensificar e qualificar o nosso trabalho de propaganda através de uma criteriosa agenda política de nossas figuras públicas encabeçadas por Heloísa para divulgar o partido e sua política em todo Brasil. Temos que revolucionar o nosso site e lutar, com todas as forças para imprimir um jornal moderno, agradável, de qualidade e regular. |